segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Capítulo 2


Já haviam se passado algumas semanas de Dezembro e agora eu me via em uma sala, celebrando o Natal com meus pais na casa de algum amigo deles, rodeada por agentes secretos e suas piadinhas desnecessariamente sem graça. Enquanto ás minhas pastas... Intactas. Cada uma delas em cima de uma prateleira desorganizada acima da mesa. Não era que eu não tivesse interesse, pelo contrário, quase toda vez eu tivera uma necessidade de abri-las, explora-las, fazer anotações de tudo que eu achasse relevante, mas ao chegar perto o suficiente pra sentir seu cheiro de mofo, eu recuava e achava que não era a hora certa. Bom, a hora ainda não tinha chegado e antes de viajar, obviamente, eu precisava tomar alguma atitude descente o suficiente para comentar as ideias com o Sr. Jefferson.
- Ora George, ou os tempos mudaram ou nós estamos ficando realmente velhos, meu caro! - um cara de bigodes comentava com o meu pai.
- Não lembro de uma pessoa tão jovem ter entrado em um caso desse tipo ou de tipo algum! Vocês estão criando uma futura agente, mais uma para os Simons!
- Conte-me, querida – começou a loira que acompanhava o homem de bigodes, se dirigindo a mim. Minha mãe fez sinal para que eu me levantasse. - Como anda o caso?
- O caso... Bom, o caso vai muito bem, obrigada. - sorri e eles riram.
- Você é realmente engraçada. - ela disse. Me perguntei qual era a graça naquilo. Lembrei que agentes secretos, por verem coisas ofensivas demais à olhares comum, deveriam achar graça de qualquer coisa que pareça.... Normal. - Tem o mesmo humor que você, não é George?
- Que todos os Simons, eu diria. - minha mãe interrompeu. - Péssimo humor, Carly, péssimo humor. Eu acho que Jo está nos chamando para comermos. Deveríamos ir. - Todos foram em direção á mesa.
- Obrigada por me livrar dessa, mãe. - eu disse.
- Ela é um saco. Aturamos porque enfim... Coisas de trabalho e seu pai é gentil demais para mandar ela e o marido calarem a boca. Mas você não pegou no caso ainda, não é?
- Eu posso ter pego sim, por que a dúvida?
- Se você tivesse realmente pego, você não pararia de falar nele. Aconselho que se você não tiver feito nada, faça bem rápido. Você viaja depois do ano novo. Tem uma semana.
- Depois do ano novo?
- Claro! Ou você pensava que haviam datas especiais para aulas começarem? Você vai voltar pra escola, se lembra?
- Ah, lembro... Impossível esquecer aquele ambiente maravilhoso de ensino e amor que exala por todos os lados.
- Aproveite então pra fazer o que você não fez em Nova Iorque nesses anos.
- Tocar fogo?
- Não, Ruby. Ser simpática e eu sei que todo mundo quer ser popular. Tente pelo menos, você é bonita e não digo isso porque sou sou mãe.
- E por que seria?
- Porque eu ouvi Edward Mason comentando isso com alguns amigos na sua formatura. - “E você me conta isso agora?”, pensei. Edward era dois anos mais velho do que eu e obviamente se formara primeiro no colégio. Era considerado um dos mais bonitos de lá, além de ser jogador de futebol americano e por isso ganhou uma bolsa pra estudar em alguma faculdade grande. Sonho de consumo. Seus pais eram amigos de longas datas dos meus pais. Minha vontade quando minha mãe me contou sobre os comentários, foi de dar gritinhos de felicidade e começar a penar em como seríamos um ótimo casal, mas tinham pessoas demais por perto e eu não conseguiria uma explicação para dar ao meu pai. Além de que se ele quisesse realmente alguma coisa, ele iria falar comigo. O que não aconteceu. - Quem sabe quando você voltar, querida, você dois não se ajeitam?
- Quem sabe em um tempo distante. Mas vai que eu conheço algum britânico por lá, não é?
- Você que sabe! Agora vamos jantar ou a comida vai ficar fria.
Depois de um tempo eu havia começado a me divertir por lá, jogando sinuca com meu pai, enquanto ele, os amigos e as esposas, bebiam jogando poker. Perto de duas ou três da manhã nós fomos pra casa. Me joguei na cama esperando que o sono viesse logo, mas não veio. Observei o quarto escuro, iluminado pelo abajur da mesa e tudo estava tão normal como sempre, até finalmente perceber o que estava merecendo minha atenção há semanas. Me dirigi até a mesa, esticando meu braço e pegando as três pastas na prateleira. A primeira era mais grossa do que as outras duas, mas mesmo assim, ela não continha nem 10 páginas. Ao abrir, a foto de uma garota loira de olhos castanhos estava presa com um clip de metal. Logo abaixo tinha seu nome, idade, de onde era e logo em seguida dados do crime. Morgan Stewart tinha 17 anos, era de Bexhill e estava no ensino médio, terminando o terceiro ano. Notas altas, presidentes de alguns clubes, não andava com pessoas que apresentariam algum perigo logo de cara, a maioria nerds do clube de astronomia. Não tinha namorados, inimigos, ótima aluna, ótima filha. Todos que a conheciam não tinham nada para falar além de coisas boas. Bom, alguém a odiava naquela hora, muito. A garota fora encontrada morta, em uma ruela na saída da cidade, perto de uma loja de peixe. Quem a encontrou foi um velhinho que trabalhava na peixaria quando ia jogar fora algumas sobras. Após ter visto Morgan, ele precisou de atendimento médico urgente. Desmaiara e estivera a beira de um ataque cardíaco, provocado pela cena forte da menina jogada em um dos cantos. O senhor da peixaria encontrou Morgan jogado perto de um lixeiro, com roupas rasgadas e com as unhas quebradas. Seus olhos foram costurados, com o contorno da linha formando um “X” perfeito em cada olho. No seu braço, havia sido gravado com uma faca os dizeres “Xeque Mate”. Macabro. Na página seguinte estavam as fotos da cena do crime e as outras páginas que seguiam eram depoimentos e anotações dos peritos e policiais. Dei uma olhada rápida, procurando pontos principais mas todos diziam basicamente a mesma coisa e uma conclusão: Não há suspeitos.
Na segunda pasta, mais fina, também tinha uma foto da garota. Ela tinha mechas loiras, o sorriso aberto e olhos verdes. Seu nome era Lauren Johnson, tinha 19 anos e era de Londres. Estava em Bexhill por causa da faculdade e trabalhava em um bar próximo para ajudar nas suas despesas. Ela tinha começado o curso de Direito e era popular entre todos. Estava saindo com um garoto da mesma faculdade, que frquentava o bar e era seu amigo.
Lauren foi encontrada em casa por ele. Ela estava de pijama, com arranhões no rosto e tivera a garganta cortada e um galo na cabeça, que os legistas examinaram e fizeram a anotação de “Causou traumatismo craniano.”. Que força, ein. Assim como a primeira vitima, Lauren também tinha dizeres no braço, também feito com faca e deixado á carne viva as palavras “Tente falar dessa vez”. Primeiramente, o garoto da faculdade, que não havia sido mencionado seu nome, tinha sido acusado como único suspeito, mas sua prima e um amigo haviam confirmado seu álibi. Ou seja, na conclusão havia: Não há suspeitos.
A terceira e última pasta era a mais fina. Na foto estava uma garota que aparentava ser muito nova e senti uma pena por ela quando vi sua idade. Clarisse Price tinha 15 anos. Acabava de se mudar para Bexhill com seus pais. Era filha única e assim como a primeira garota, era uma aluna exemplar, mas como a segunda, ela era popular, mas não estava saindo com ninguém segundo a maioria dos depoimentos. Foi bizarro o jeito que foi morta, mesmo ser ridículo eu estar falando isso. Foi encontrada na sala de artes da escola, com a cabeça dentro de um galão de tinta de parede. Diferente das outras, ela tinha sido esfaqueada, 10 vezes, mas seguindo o padrão, estava marcado em sua pele “Ooops” no pescoço. Por isso achavam que o suspeito tinha acesso direto á escola. Por isso eu estava indo.
Mas ainda sim, na conclusão havia estava: Não há suspeitos.
- Isso é um absurdo! - joguei a pasta em cima das outras duas em cima da mesa. Como em uma cidade, em uma escola, em uma sociedade, NINGUÉM percebeu um assassino matando, esfaqueando, afogando e escrevendo com uma faca? Talvez se tivessem dado um maldito caderno a esse cara quando ele era menor, ele não mataria tantas pessoas, porque obviamente, essa mente estupida tinha uma necessidade ridícula de sair escrevendo nas pessoas!
E como um departamento inteiro, ou mais, não tinha um suspeito pra fazer cocegas? As coisas estavam tão sérias ao ponto de me colocarem no caso?

Depois de um tempo terminando as minhas anotações, observações e pontos chaves, estava começando a analisar certas informações e atos que não se encaixavam. Por que os federais americanos e o serviço secreto estava metido em um crime cometido no Reino Unido? Isso não era trabalho deles? Os Estados Unidos só deveria se intrometer nesse tipo de assunto quando um americano era afetado, ou a sociedade americana, o que não era o caso pois todas as vítimas eram inglesas. Ou estavam me escondendo coisas, o que eu não gostava, ou o próprio serviço secreto britânico havia pedido nossa ajuda.

Não consegui dormir. Fiquei imaginando o que poderia me acontecer se o assassino também me pegasse, e o que ele faria comigo e o que escreveria, zoando com as autoridades que me achariam. Também passei o dia no quarto, revendo as pastas com meus pais e comentando o que fosse necessário. Eles diziam que tinham ótimas razões para terem se envolvido no caso, nada que pudesse interferir no que eu fosse fazer.
Minha viagem estava marcada para dia 2 de janeiro. Ficaria na casa do meu avô e trabalharia na sua loja de armas. Estudaria e trabalharia no bar próximo a faculdade por questões de investigação. Falaria e me envolveria com quem precisasse, com quem eu quisesse, contanto que no fim do prazo que fora me dado, eu apresentasse o que os outros não foram capazes de fazer : Suspeitos e soluções.
Não exatamente nessa ordem.  

sábado, 29 de dezembro de 2012

Capítulo 1

Estava de férias. Havia me formado no ensino médio havia poucas semanas e não tinha absolutamente nada com o que me preocupar, somente esperar a carta de aprovação das faculdades que eu me inscrevi, o que as vezes tirava meu sono, mas dessa vez isso não havia sido o motivo de eu ter acordado tão cedo e tão irritada essa manhã. Meu despertador tocou as 8am e eu não fazia ideia de quem tinha desajustado o horário, e colocado para ligar na rádio essa hora. 
Era inverno em NYC, então a casa estava num clima agradável mas eu realmente queria ficar no meu quarto escuro debaixo das cobertas, mas como eu não aguentava mais as músicas bregas me despertando de 5 em 5 minutos, resolvi finalmente sair de lá. Também não vinha cheiro de comida do andar debaixo. Minha mãe recentemente tinha despedido a cozinheira por coisas da cabeça dela. Definitivamente o emprego, apesar de ser o dos meus sonhos, a fazia ficar paranoica com as pessoas. E isso não era bom para o meu estômago e nem para o meu pai, que tinha mania de organização. Meus pais eram agentes federais, passavam a maior parte do tempo fora e adquiriam mania estranhas. Sonhava de verdade em trabalhar com isso desde pequena, mas era uma estrada meio longa a ser percorrida e eu não estava nem no começo do caminho.
A cozinha estava impecavelmente arrumada e com a louça brilhando, panquecas estavam em cima da mesa, cobertas. No fogão estavam duas panelas com ovos e bacon nelas. Um bilhete estava na geladeira e provavelmente era da minha mãe, pelo papel cor de rosa. 

“Querida, espero que não tenha se irritado quanto a hora que eu ajustei seu despertador hoje de manhã. Deixei comida em cima da mesa e nas panelas. O almoço está na geladeira e os sucos também. Por favor, mantenha a cozinha limpa. O Sr.Jefferson está querendo falar com você. Acho que é a chance de conseguir alguma coisa pra você por lá! Esteja no escritório as 5pm. 
Com amor, mamãe.
Xx”

Rá! Sr. Jefferson! Ele é o chefe dos meus pais. Um velho abusado que estava na hora de se aposentar ou iria virar uma caveira como as que ele e o pessoal da perícia investigavam. Ia fazer dois anos que eu vinha pedindo um estágio ou um emprego nem que fosse de faxineira dos materiais químicos ou varresse os vestígios de bala do chão da sala de treinamento de atiradores. Agora ele finalmente deveria ter percebido que precisava de alguém com tradição e experiência, que eu não tinha, mas meus pais tinham! Apesar de ainda ter que fazer faculdade e depois ralar muito pra entrar no ramo, eu insistia em dizer que eu teria capacidade suficiente de fazer um excelente trabalho logo depois da faculdade de Direito. 
As panquecas estavam frias e eu não tive a paciência de esquenta-las. Juntei tudo que estava na panela com as panquecas, peguei um copo de leite na geladeira e sai em direção a sala, arrastando minhas meias felpudas pelo carpete. Uma coisa laranja e oleosa se espalhou pelos meus ombros quando me joguei no sofá e eu percebi que era meu cabelo, ou o que costumava ser ele. Desde que sai da escola, eu virara uma preguiçosa de primeira, dormindo até tarde, trocando o dia pela noite, e passando a maior parte do tempo de pijamas e meias. Meu cabelo, que um dia tinha sido macio e limpo, estava bem oleoso e nada legal. 
Eu não estava saindo muito de casa, minhas amigas estavam todas na Flórida e eu me perguntava o por que de eu estar aqui, em New York, assistindo desenho, em uma quarta-feira de dezembro. 
   X
A tarde demorou a chegar. Pra passar o tempo, eu fiz questão de parecer como gente de novo. E de arrumar meu guarda-roupa, fazer as unhas e antes disso, limpar a cozinha limpa e organizar a geladeira. Me vesti e procurei as chaves do meu Fiat 500 branco, tão bem guardado na garagem. O escritório não ficava muito longe de casa, ainda bem. Coloquei uma ótima música pra tocar e segui as ruas em direção ao prédio. Não havia muito trânsito por causa do horário e nossa, como eu agradeci por isso. Digamos que eu não era a melhor motorista do mundo, mas eu ainda conseguia andar por aí sem bater em nada. 
No prédio, estacionei meu carro na vaga dos meus pais e segui para a recepção.

Boa noite. Em que posso ajuda.... Você de novo, Simons? - Carl, o recepcionista/secretário, parara de me receber tão bem depois de ir algumas dezenas de vezes no prédio e ele insistir que eu não tinha permissão para estar lá. Acabávamos sempre discutindo.
- Boa noite pra você também, Carl. É muito bom te ver de novo. - sorri, apoiando meus cotovelos e colocando minha cabeça nas mãos. 
- Seus pais sabem que você está aqui? 
- Claro que sabem, assim como quase todas as vezes. Eles me mandaram dessa vez.
- Não vou cair nessa de novo, Ruby. 
- Qual é, Carl! Pode fazer o favor de ligar pra minha mãe!
- Olha, querida, Charlotte não estaria louca de mandar você pra cá. 
- Louca, louquinha. Liga pra ela, sim? - fiz carinha de cachorrinho pidão. - Por favor! 
- Ai, garota! - riu. - Por que mesmo depois de discutir com você, eu não consigo te negar nada?
- Porque você é meu gay favorito, poderoso! - pegou o telefone e em pouco tempo voltou a falar.
- Charlotte, sua filha está aqui, de novo. Pode subir? Ah, ok. - desligou o telefone e se dirigiu a mim. - Pode subir, coisinha insuportável.
- Rá, eu falei! Chupa essa! - corri para o elevador e ainda fiz questão de soltar um beijo pra Carl antes de entrar.  O andar em que minha mãe estava era um dos últimos, no mesmo que o Sr. Jefferson, maravilha. 
- Pensei que você ia se atrasar de novo, Ruby. - meu pai me esperava na porta do elevador. Dei um abraço nele e me senti minuscula de novo. Mesmo com salto alto, nada superava os quase 2 metros do meu pai, muito menos os meus 1,65 de altura. 
- Não pai, eu não iria me atrasar, não com o bilhete da mamãe e aonde está ela? 
- Escritório, esperando você. Acho que você vai gostar do que vai ouvir. 
- Vou ganhar meu emprego!? Ai, maravilha! 
- Bom, eu acho muito melhor do que isso. Mas deixa eu te pedir uma coisa, nada de irônias com o velhinho, certo?
- Nossa pai, eu nunca faria isso. Que difamação! - rimos juntos e entramos na sala onde minha mãe e o velho metido a defunto, nos esperavam. 
- Ora, ora, quem nós temos aqui! Ruby Simons... Quem diria que nós iriamos mesmo precisar de você tão cedo.
- Eu nunca erro, Sr. Jefferson. É uma prazer ver o senhor novamente. 
- Sente-se por favor. - me sentei na sua frente, entre meus pais. Na sua mesa haviam três pastas amarronzadas carimbadas com tinta vermelha. Não consegui ler o que era, mas sabia que eram pastas onde continham informações de vítimas. Meu pai já havia levado uma dessas pra casa. O estranho é o porque dessas pastas estarem ali. - Então... Acho que já sabe o que está fazendo aqui, não?
- Pude deduzir que consegui um emprego no escritório ou coisa parecida, certo?
- Não deixa de estar, mas há algo mais... Sim... Algo maior.
- Desculpe, mas, como assim, algo maior?
- Nós vamos lhe dar participação em um dos casos, querida. - disse minha mãe, havia orgulho em sua voz.
- Um caso? Pensei que eu não pudesse participar. Isso é... ótimo!
- Bem, você não pode, mas precisamos fazer isso. Nessas pastas há informações de três vítimas, tudo sobre elas. Elas foram brutalmente assassinadas em uma cidade no sul da Inglaterra. Você vai encontrar o que precisa aí. Mas agora, o que você precisa saber o porque de estarmos lhe envolvendo isso. Duas dessas garotas estudavam em uma escola de Ensino Médio e mesmo sendo os melhores profissionais investigativos dos EUA, teríamos dificuldade em entrar dentro da escola e descobrir mais coisas sobre o assassino. Nós não temos pistas ainda. Achamos que ele pode ser um assassino em série, que tenha contato direto com as três. Estamos enfrentando resistência do governo britânico também, porque a presença de agentes mais velhos, mesmo disfarçados, levantaria suspeita em um condado com tradição. Você entende o que eu quero dizer? 
- Então vocês querem que eu vá pra essa cidade, no sul da Inglaterra, pra investigar 3 mortes , sem suspeitos, em uma escola de Ensino Médio? Vocês querem que eu volte para o Ensino Médio? - repeti. 
- Exatamente! Muito bem, srta. Simons!
- Vocês enlouqueceram? 
- Entenderemos se você recusar, aparentemente é um perigo muito grande para uma garota com 16 anos... 
- Eu tenho 18, Sr. Jefferson. 
- Com 16 anos eu também tinha medo do desconhecido e é claro que a menção de não termos nenhum suspeito influenciou muito em sua escolha...
- Eu tenho 18! E eu não estou com medo do perigo.
- Então isso quer dizer que você não está dando pra trás? Porque você sabe quantas pessoas queriam estar no seu lugar, não é mesmo? Quantas pessoas nesse escritório gostariam de pegar essa missão? 
- Não, mas não precisa pensar em outras pessoas. Eu fico com isso. 
- Isso que eu gosto de ouvir. George, você está criando uma excelente agente. - disse para o meu pai. - Sr. Jefferson se levantou, foi até um armário de canto de parede e tirou de lá mais algumas pastas e papeis. - Vamos ver... Você tem de Janeiro até Junho para descobrir o assassino. Geralmente não trabalhamos com prazo, mas estamos lidando com um cara que já matou 3 e cremos que para chegar á sua quarta vítima não será tão difícil. Faça o que tiver que fazer, Ruby. Entre nos clubes, seja popular, saia, arrume um emprego no bar da próximo a faculdade, onde a primeira vítima trabalhava. Fale com as pessoas, descubra coisas, esse é o seu trabalho. Não conte nada pra ninguém, não seja descoberta pelas pessoas certas, nem pelas erradas. “Os meios justificam os fins.”. Faça por merecer a informação. Não quero saber o que vai fazer nesses 6 meses, mas quero resultados e um culpado no final disso. Se conseguir, pode ter certeza que ficarei lisonjeado em escrever uma recomendação para o meu amigo, um dos caras que podem colocar você em Harvard em um piscar de olhos! Estamos entendidos? 
- Estamos, mas eu posso fazer mais uma pergunta? 
- Claro e qual é?
- Aonde eu vou morar, que cidade é essa e que série eu vou ter que fazer? Eles não vão saber pelo meu nome que eu já me formei? 
- Você vai para Bexhill, East Sussex. Vai morar em uma casa perto da praia com o seu avô Peter. - disse meu pai. 
- Eu vou morar com o meu avô Peter? Seu pai, pai? O ignorante, o bruto e o dono da loja de armas, Peter? Você só pode estar brincando, não é? Ele nem fala comigo!
- Ele já concordou em tudo e falando em loja de armas, você precisará ajuda-lo nos fins de semana e depois da aula, poderá estudar lá também. 
- Que maravilha...  E a série? Qual é? 
- Só precisará refazer o seu último ano, você se saíra bem, tenho certeza. Não contará para o seu currículo, eles estão nos dando total cobertura para você entrar. - minha mãe completou.
- Garanto que vou... Então, acho que as informações já foram passadas, não é? Mais alguma coisa que eu deveria saber? - perguntei.
- Não, não. Só leve as pastas e leia. Absorva cada dado delas e esteja preparada para o que vá encontrar. Boa sorte. - ele se levantou e dessa vez nós fizemos o mesmo. Ele apertou calorosamente a minha mão e me entrou a pilha de pastas e papeis em seguida.
Já quando estava saindo pela porta, ele voltou a falar.
- Srta. Simons, só mais uma coisa. Tente não morrer. 

Sinopse

Ruby Simons, filha de dois agentes federais, sempre sonhou com a profissão. Logo após se formar no Ensino Médio, é convidada para investigar o assassinato de três adolescentes na pacata cidade de Bexhill, na Inglaterra. Com o crime sem qualquer suspeito e as mortes seguindo uma linha interessante criada pelo assassino, Ruby terá que se infiltrar no meio de convívio das três jovens e coletar informações sem ser descoberta. Como em todo bom quebra-cabeça, o jogador também se torna parte do jogo, e Ruby descobrirá isso da pior forma possível: tentando não morrer.